03/06/2011

Administrando Comunicação e Liderança

Em alguns ambientes de trabalho ditos “modernos”, funcionários ouvem os colegas dizerem frases no corredor ou ao pé do ouvido como “aqui, manda quem pode e obedece quem tem juízo” e “fique quieto e faça seu trabalho”.
A atitude reflete a estrutura piramidal de uma empresa, na qual predomina o fluxo descendente de comunicação. As mensagens, ou melhor, ordens da direção descem até os funcionários, devendo ser prontamente obedecidas sem questionamento.
Os significados atribuídos à palavra “funcionar” (de onde deriva funcionário) em alguns dicionários, assim como as empresas autoritárias, também se encontram obsoletos. “Funcionar” remete a exercer as funções, trabalhar, subsistir. As definições remetem ao cumprimento de tarefas repetitivas, instruções normativas, procedimentos da rotina administrativa diária.
Uma corporação que se baseia nesse fluxo não possui comunicação interdepartamental, trabalho em equipe e seus dirigentes não aceitam sugestões por parte do público interno (empregados). A atitude torna o ambiente de trabalho rígido e excessivamente formal, o que desgasta as relações hierárquicas e, consequentemente, a imagem da empresa.
Por outro lado, a estrutura organizacional circular permite verificar a diferença entre o gerente e o coordenador (de tarefas) e o líder (de potencialidades). Nela, o fluxo de comunicação é horizontal. Com a diretoria acessível ao centro, os funcionários têm a liberdade de se reportar diretamente ao chefe, expressando a visão e as idéias que têm sobre a empresa, aptos a propor melhorias. São resultados, anseios, expectativas, sugestões e reclamações a respeito do ambiente de trabalho.
Assim contribuindo, o “funcionário” torna-se “trabalhador”. Mais do que parte da equipe, ele assume compromisso permanente com a empresa, um relacionamento que deve ser ético, baseado na confiança e na transparência de ambas as partes.
Outra postura que contribui para o funcionamento harmônico de qualquer empresa é o incentivo às redes de comunicação. Elas podem ser formais (oficialmente inseridas na estrutura da organização) e informais (manifestações espontâneas, grupinhos, boatos). Se bem administradas, promovem conhecimento e troca de informações entre trabalhadores, também sendo vistas como oportunidade de lazer.
Para valorizar, no entanto, o relacionamento aberto entre pessoas de todos os níveis hierárquicos da empresa, há objetivos que devem ser perseguidos: a empresa deve possuir clima favorável ao compartilhamento de opiniões; o trabalhador deve se sentir valorizado intelectualmente e perceber que tem acesso ao mesmo nível de informação que seu superior. Além disso, algumas características devem ser valorizadas pela direção da empresa, pois irão contribuir, indiretamente, para uma melhor produtividade do trabalhador. São elas: abertura e flexibilidade nas relações de trabalho, foco na aprendizagem, consideração das diferenças individuais e equilíbrio entre tecnologia e contato humano, passando uma imagem de adequação e modernidade.
Administrar a comunicação entre os diversos níveis hierárquicos significa medir o entendimento e a aceitação das atitudes que daí advêm. Compreender as demandas, expectativas e necessidades dos vários níveis da organização.
Conquistar a liderança, portanto, consiste em sê-lo não somente entre determinados indivíduos (subordinados ou não), mas como resultado de um processo que necessita de abertura e que culminará no sucesso de toda uma corporação.
Publicado no Jornal ‘A Tribuna’ (ES), coluna ‘Tribuna Livre’ em 04/10/2006.

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