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Aprendizagem por meio da punição
22/10/2009
A miniaturização do texto e a desinformação do leitor
Obs.: publicado no Jornal Valeparaibano, editoria 'Opinião', em 06/12/2009. Disponível em:
| http://www.valeparaibano.com. |
16/10/2009
Corpo, objetos e seus significados implícitos
Diante da vida agitada e repleta de compromissos que encaramos hoje, percebo que, por vezes, damos pouca - ou nenhuma - atenção aos sinais corporais daqueles com quem convivemos ou nos relacionamos. A fala e a escrita constituem práticas majoritárias em nossos afazeres cotidianos, tanto no ambiente de trabalho quanto no lazer. Usamos o discurso oral em reuniões, palestras, seminários, bate-papo com amigos, o cafezinho da tarde. O escrito aparece em cartas, relatórios, e-mails, textos de mensagens instantâneas e milhares de outras formas de comunicação.
A ‘Comunicação Não-Verbal’ ou ‘Linguagem Corporal’, entretanto, passa-nos despercebida, pois se manifesta sutilmente nas entrelinhas, nos implícitos, nos significados escondidos de gestos faciais e corporais, nos acessórios que usamos, na escolha dos objetos com os quais adornamos nosso escritório e casa, na posição em que os dispomos, na maneira como nos dirigimos ao outro, etc. Estudada pela Cinética, a Linguagem Corporal é uma área de análise recente, datando as primeiras pesquisas das décadas de 1970 e 1980 nos Estados Unidos.
Mas por que, pergunta-se o leitor, devo dar importância à temática? Investigações do antropólogo Ray L. Birdwhistell constatam que 65% do significado de nossas conversas estão ligados a canais de comunicação não-verbal, restando 35% de importância para as palavras pronunciadas. Isso mostra que, ao usarmos da fala, nosso interlocutor tende a memorizar mais as mensagens corporais que, instintivamente, transmitimos. O professor Albert Mehrabian confirma a idéia. Seu levantamento aponta que 7% dos significados estão na linguagem falada; 38% são paralinguísticos (entonação e inflexões da voz) e 55% são encontrados em expressões faciais e gestos corporais.
Faça o teste você mesmo, amigo leitor! Experimente, enquanto alguém lhe dirige a palavra, balançar afirmativamente a cabeça em intervalos curtos de tempo. Esse pequeno gesto corporal estimula, segundo pesquisas, que a pessoa com quem você interage fale até quatro vezes mais do que faria sem o gesto. Outra dica é espelhar, ou seja, imitar posturas corporais de indivíduos dos quais você deseja se aproximar. Apertar a mão com a mesma firmeza, olhar firme e centrado, sorrir mostrando os dentes e inclinar o corpo na direção de quem fala são indicativos de sinceridade e podem ajudar a abrir portas.
Esses sinais invisíveis, considerados por autores da área como os mais honestos (visto que dificilmente os controlamos de forma consciente), também podem colocar barreiras às relações interpessoais. Braços e/ou pernas cruzadas, objetos colocados à frente do corpo como bolsas e pastas, sobrancelhas franzidas e mãos apoiadas no queixo indicam resistência, desinteresse ou mesmo apatia sobre o que está sendo dito ou exposto.
A posição e o uso que se faz do mobiliário e seus adereços também contribui para criar empatia ou antipatia. Cito um exemplo corriqueiro, mas não desimportante, que ocorreu comigo dia desses. Indo a um otorrinolaringologista, reparei que o bebedouro com água mineral teoricamente destinado aos pacientes que aguardam ser atendidos se localizava atrás da mesa da secretária. Nele estava escrito: “se quiser água, solicite à secretária”. Pensei: aqui até a água é racionada? Ao entrar no consultório, reparei que uma distância de 5 metros separava a cadeira do paciente da do médico. Ao tentar chegar a cadeira mais próxima, qual foi minha surpresa ao verificar que ela estava literalmente pregada ao chão. Das duas uma: ou algum paciente tentou raptar a cadeira ou a intenção do ‘médico’ era manter distância ‘razoável’ dos pacientes. Não foi preciso que ele dissesse nada; a frieza nos gestos e a aspereza do ambiente já indicavam a personalidade do ‘profissional’.